Fases dos Exames de Laboratório

A realização do exame laboratorial passa por três etapas diferentes. Os profissionais de laboratórios de clínicos devem ficar atentos a cada uma delas e buscar aperfeiçoá-las. O maior objetivo é determinar a concentração ou a atividade de analitos em um material biológico, a obtenção de um laudo de qualidade e evitar que os pacientes recebam um resultado incorreto. Durante a primeira fase, ou pré-analítica, a atenção para com o paciente e o cuidado com os procedimentos para obtenção do material, ou amostra são formas de garantir a qualidade no laboratório.

Inúmeros profissionais de diferentes áreas estão envolvidos nessa primeira fase. Pesquisas afirmam que cerca de 70% dos erros que acontecem em laboratórios clínicos ocorrem na fase pré-analítica. Sabe-se que esses erros podem ser minimizados se os profissionais estiverem comprometidos e atentos com os procedimentos. A fase pré-analítica é composta de cinco etapas. Cada uma delas será abordada a seguir.

pedido_iconPedido do Exame
O processo para realização dos exames laboratoriais inicia-se com o pedido de exame, feito geralmente durante a consulta médica. É necessário que o médico descreva corretamente a solicitação desejada. O maior número possível de informações, no pedido sempre ajuda na hora de realizar o exame. A solicitação pelo médico acontece principalmente por dois motivos: para confirmar ou rejeitar um diagnóstico ou para obter parâmetros para acompanhamento. É por este motivo que um pedido e um resultado corretos auxiliam muito na decisão adequada para condução do tratamento do paciente.

Preparação icon Preparação do Paciente

Esta etapa é de orientação e cuidado do paciente. Neste momento de pré-coleta o paciente deve receber todas as informações necessárias para a realização do exame e não se deve esperar que as orientações sejam dadas pelo médico, mas sim pelo laboratório.O paciente deve receber do laboratório informações sobre o tempo de jejum, a realização de exercícios físicos, o consumo de bebida alcoólica, dentre outras. O PALC (Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos) indica que essas orientações devam ser fornecidas por escrito, quando o cliente for responsável pela coleta, facultando o fornecimento na forma verbal para as instruções simples. O DICQ, 2011 estabelece que “AS INSTRUÇÕES PARA COLETA DE MATERIAL OU AMOSTRA PELO PRÓPRIO PACIENTE/CLIENTE, DEVEM SER DISPONIBILIZADAS DE FORMA ESCRITA E/OU VERBAL, EM LINGUAGEM ACESSÍVEL”.
Exemplos de exames para os quais se recomendam instruções escritas:

Provas hormonais funcionais;
Exames de urina: rotina, cultura, dosagem de tempo marcado;
Pesquisa de sangue oculto e provas digestivas funcionais;
Espermograma e análise de sêmen;
Coleta de escarro expectorado;
Coleta de exames microbiológicos em hospitais.

Verbal ou por escrito o certo é que o laboratório deve cuidar para que os pacientes não tenham nenhuma dúvida quanto aos cuidados pré-exame. Tempo de jejum, ingestão de bebidas alcoólicas, tipos de medicamentos que não devem ser consumidos, entre outras, podem interferir diretamente na qualidade do material coletado. Os laboratórios clínicos devem qualificar e preparar seus funcionários para reduzir qualquer tipo de erro neste momento.

Outra tarefa executada nesta etapa é a de cadastro dos clientes. Os dados pessoais devem estar corretos para diminuir qualquer erro eventual, especialmente de identificação do paciente e amostra coletada. Cabe ao atendente cuidar da consistência dessas informações no momento de agendamento e orientação para o exame. Este é o grande momento para o laboratório oferecer a humanização maior, no atendimento ao paciente.

icon-coleta- Coleta

A obtenção da amostra biológica se dá mais frequentemente pela coleta de sangue e pode ser o momento de maior tensão para o paciente. Os profissionais devem agir com cuidado e atenção. Seguir protocolos específicos de coletas auxilia na diminuição de erros que poderiam ocorrer nesta etapa. Caso falte algum dado necessário para o bom desempenho, deve-se sanar o problema ou adiar a coleta até que todas as informações estejam corretas. O preparo e organização dos equipamentos e do profissional também são de suma importância para a qualidade do trabalho fornecido neste momento. As falhas mais comuns são:

amostra insuficiente;
amostra em tubo incorreto;
amostra inadequada;
identificação incorreta (do paciente e da amostra).

Após obtenção das amostras, outro cuidado é o de encaminhá-las nos prazos adequados para assegurar a qualidade do material para análise.

icon-transporte- Transporte

A última etapa da fase pré-analítica tem como primeiro passo o bom armazenamento do material coletado. Identificação e recipientes corretos evitam resultados alterados e também a perda do material. É importante utilizar maletas adequadas, veículos adaptados, controlar a relação tempo e temperatura a que é exposto o material, utilização de frascos adequados, tudo pensando na segurança e na preservação das boas condições do material biológico para análise.

transporte-fase-pre-analitica-lA RDC 302/2005 da Anvisa prevê no parágrafo 6.1.10: A AMOSTRA DE PACIENTE DEVE SER TRANSPORTADA E PRESERVADA EM RECIPIENTE ISOTÉRMICO, QUANDO REQUERIDO, HIGIENIZÁVEL, IMPERMEÁVEL, GARANTINDO A SUA ESTABILIDADE DESDE A COLETA ATÉ A REALIZAÇÃO DO EXAME, IDENTIFICADO COM A SIMBOLOGIA DE RISCO BIOLÓGICO, COM OS DIZERES “ESPÉCIMES PARA DIAGNÓSTICO” E COM NOME DO LABORATÓRIO RESPONSÁVEL PELO ENVIO.

É importante que o veículo tenha informações por escrito em casos de acidentes. Deve-se evitar agitação das amostras. Todos os materiais devem ser manuseados por pessoas portando equipamentos de segurança. O transporte até a área técnica deve ser eficiente e rápido.

Fazem parte da fase de preparação:

O manuseio de frascos e tubos para o devido encaminhamento interno;
O julgamento da qualidade das amostras, que deve ser feito em cada processo nessa fase;
A centrifugação, aliquotagem e distribuição interna para o setor analítico.
De acordo com a RDC 302/2005, 6.1.3 OS CRITÉRIOS DE ACEITAÇÃO E REJEIÇÃO DE AMOSTRAS, ASSIM COMO A REALIZAÇÃO DE EXAMES EM AMOSTRAS COM RESTRIÇÕES DEVEM ESTAR DEFINIDOS EM INSTRUÇÕES ESCRITAS.

Se uma amostra é aceita com restrições, essa observação deve constar no laudo.


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